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Quinta-Feira, 31 de Julho de 2014
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Esforços Repetitivos

Informação relativa a Esforços Repetitivos - riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores e respectivas medidas de prevenção



Esforços Repetitivos - Introdução

 

A “expressão” Lesões por Esforços Repetitivos (LER) começou a ser utilizada no final da década de 50, para designar um conjunto de patologias, síndromes e/ou sintomas músculo- esqueléticos que afectam particularmente os membros superiores. O seu aparecimento está directamente relacionado com o tipo de trabalho e com as componentes materiais do trabalho.

Entende-se por “Esforços Repetitivos”, o conjunto de movimentos contínuos mantidos com uma determinada frequência durante um trabalho que implica a acção conjunta dos músculos, ossos, articulações e ainda por parte dos nervos ligados a uma parte específica do corpo. Este tipo de movimentos provocam fadiga muscular, sobre-esforços, dores e, em casos extremos doenças.

Muitas vezes as pessoas ignoram a relação existente entre as doenças a que estão sujeitas e os esforços repetitivos que realizam reiteradamente durante o seu trabalho. No entanto, verifica-se uma clara relação entre determinados problemas músculo-esqueléticos e as actividades que obrigam a adoptar posturas incorrectas do corpo e membros superiores, realização de trabalho repetitivo, ritmos de trabalho excessivos, manuseamento de cargas pesadas, uso de ferramentas desadequadas, etc.

Regra geral, as LER (lesões derivadas de esforços repetitivos) atingem os trabalhadores no auge de sua produtividade e experiência profissional. Existe maior incidência na faixa etária de 30 a 40 anos, sendo as mulheres são o sexo mais atingido.

Depois de diversos estudos e análises efectuadas à população afectada por lesões derivadas de esforços repetitivos, verificou-se que este tipo de lesões afecta especialmente determinados ramos de actividade, observando-se também uma maior incidência em determinados países do mundo cujas profissões despoletam mais facilmente este tipo de patologias.

Estas formas de trabalho reflectem-se em diversos tipos de actividades, nomeadamente: indústria têxtil (costureiras, bordadeiras, arrematadoras), operadores de caixas de supermercados e no comércio em geral, montagem e reparação automóvel, indústria alimentar, telefonistas, cabeleireiros, operadores de telemarketing, funcionários de caixas de bancos, funcionários administrativos, etc.

O sector do comércio / serviços possui também um conjunto de trabalhos específicos que originam esforços repetitivos, como por exemplo, dactilografar e utilizar repetidamente computadores (empregados de escritório); limpeza durante muitas horas sucessivas, permanecer muitas horas de pé ou sentado, etc.

A principal consequência das lesões derivadas a esforços repetitivos é a perda da capacidade para realizar determinados movimentos. Como é lógico, esta situação interfere directamente na condição social e psicológica dos trabalhadores. Isto verifica-se sobretudo quando a lesão ou patologia impede temporária ou permanentemente o trabalhador de realizar o seu trabalho habitual.

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Seguidamente, apresentam-se alguns factores que podem despoletar lesões derivadas de esforços repetitivos:

 

  • Exigência de execução de movimentos repetitivos com os braços.
  • Exigência de manutenção de uma posição fixa para os ombros e pescoço por tempo prolongado.
  • Padronização dos tempos em que cada etapa do trabalho deve ser concluída. Os trabalhadores são submetidos a fluxos de trabalho predeterminados e com poucas possibilidades de mudança.
  • Exigência de cumprimento das diferentes etapas em momentos exactos e forma preestabelecida, perdendo-se a autonomia no trabalho.
  • A realização do trabalho em “série”, estando a etapa seguinte dependente das anteriores.
  • Ritmos de trabalho inadequados para os trabalhadores.
  • Uso de máquinas ou equipamentos que exigem posturas ou movimentos forçados e/ou repetitivos.
  • Existência de mobiliário não adequado ou disposição incorrecta.
  • Efectuar horas extraordinárias de trabalho com frequência.
  • Pressões de ordem psicológica por parte da entidade patronal ou encarregado de secção.
  • Inexistência de possibilidade de os trabalhadores efectuarem pequenas pausas pontuais para descansar.
  • Existência de vibrações no posto de trabalho que podem gerar determinados traumatismos.
  • Existência de condições térmicas adversas que podem provocar vasoconstrição ou vasodilatação;

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Principais factores associados ao agravamento dos diferentes quadros clínicos:



  • Factores biomecânicos, como contracções musculares prolongadas e posturas inadequadas, frequência e força empregue no movimento repetitivo, inadequações do posto de trabalho, desenho e manutenção dos equipamentos e tensão muscular associada a stresse;
  • Factores da organização do trabalho, como ausência de pausas, excessivos incentivos à produtividade, falta de formação e treino e supervisão inadequada; e
  • Outros aspectos agravantes, como pressões económicas, retardamento dos diagnósticos de saúde e intervenções médicas inadequadas.
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Patologias comuns derivadas de esforços repetitivos


Os problemas músculo-esqueléticos que originam os movimentos repetitivos afectam com mais frequência os membros superiores.

As patologias mais frequentes são as seguintes:
 

  • O síndrome do canal do Carpo:

Em geral, as pessoas atingidas por esta patologia sentem dor nos punhos, na mão e sensação de formigueiro nos dedos, principalmente durante a execução de algumas actividades manuais. Outro sintoma característico é acordar a meio da noite com formigueiro na mão. Isto, porque não se repetiu a postura de flexão do punho durante o período de sono. Além disto, a falta de movimentação dos dedos, pode formar edema, isto é, a acumulação de líquido dentro do canal que vai aumentar a compressão do nervo.

Causas possíveis de compressão do nervo mediano no canal do carpo:

  • Inflamação ou edema nos tendões e bainhas tendinosas no canal do carpo;
  • Retenção de líquido;
  • Lesões por esmagamento;
  • Edema na mão e antebraço;
  • Alargamento do nervo mediano;
  • Condições sistémicas (ex. gravidez);
  • Fracturas e luxação ao nível do punho;
  • Artrite reumatóide;
  • Alargamento do nervo mediano.

 

  • Tendinite, tenossinovite

Inflamação de um tendão (tendinite) e da sua bainha (tenossinovite). Esta patologia é frequente em trabalhadores que realizam frequentemente trabalhos manuais. Surge nos ombros, joelhos e cotovelos, pulsos, polegares e tendão de Aquiles. Provoca uma contractura muscular muito dolorosa e incapacidade funcional.

 

  • Tendinites várias (inflamação de tendões – que muitas vezes provocam muitas dores e chegam a impedir os movimentos).

Os factores de risco que é necessário ter em conta relativamente aos esforços repetitivos são: a manutenção de posturas inadequadas (especialmente no respeitante à coluna e ombros); a aplicação de força manual excessiva; ciclos de trabalho muito longos e repetitivos (em termos de tarefas que são executadas) que originam consequentemente movimentos rápidos de pequenos grupos musculares e tempos de descanso insuficientes.

 

  • Síndrome de Quervain

Afecção caracterizada pelo espessamento fibroso da bainha dos tendões longo abdutor e curto extensor do polegar, à sua passagem sobre a apófise estiloideia radial, que se traduz clinicamente por tumefacção ao nível desta apófise e dores exacerbadas aos movimentos. (Quervain, Fritz de; cirurgião suíço, 1868-1940).

 

  • Epicondilite

Inflamação do epicôndilo ou dos tendões musculares que nele se inserem, caracterizada por uma dor muito localizada à pressão (epicondialgia), que por vezes se propaga ao longo do bordo radial do antebraço e é desencadeada pelos movimentos de extensão e de supinação.

 

  • Bursite

Inflamação das bolsas serosas que existem nas articulações do nosso corpo.
As nossas articulações possuem  pequenas bolsas serosas para diminuir o atrito causado nos movimento. Porém, se solicitadas inadequadamente, ou constantemente, poderá ocorrer um processo inflamatório nas mesmas.

A mais comum é a inflamação do ombro: bursite do ombro. A bursite pode tornar-se  mais dolorosa, conforme o problema se agrava. A dor é sempre sentida na mesma região, sempre que a bolsa é fortemente contraída.

 

  • Síndrome do radial

Este síndrome atinge o nervo radial na extensão do braço até ao cotovelo. Os trabalhadores mais afectados por esta patologia são aqueles que pegam em pesos mais elevados.

 

  • Osteonecroses

Esta patologia é caracterizada por falência do osso devido a um microtraumatismo. Ficam particularmente sujeitas a esta doença os trabalhadores sujeitos a vibrações provocadas por algumas ferramentas.

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Regras de boas práticas para prevenir lesões provocadas por esforços repetitivos


  • Investigar as causas prováveis que originam as LER nos locais de trabalho, tais como queixas frequentes de dores por parte dos trabalhadores, trabalhos que exigem movimentos repetitivos ou aplicação de grande força manual nas tarefas.
  • Envolvimento e participação directa da administração das empresas, no intuito de estabelecer um programa de prevenção das LER.
  • Dar formação e sensibilizar os trabalhadores, incluindo a administração, sobre as LER para que cada um, em particular, possa tornar-se consciente dos riscos a que está exposto.
  • Recolher dados, analisando directamente os postos de trabalho, para identificar as situações mais críticas, incluindo a análise de estatísticas médicas da ocorrência de problemas relativos a sintomas característicos de LER.
  • Desenvolvimento de um programa de acompanhamento médico periódico, de forma a poder detectar e tratar precocemente, e num estádio inicial, as patologias relacionadas com LER. Desta forma, evita-se ou pelo menos diminui-se o agravamento da patologia e a consequente incapacidade para o trabalho.
  • Planear e conceber novos postos de trabalho, estabelecendo novas funções, operações e processos, de forma a evitar condições de trabalho que exponham os trabalhadores ao risco de desrespeito pelos princípios ergonómicos devido aos esforços repetitivos.
  • Ter em consideração o desenho ergonómico do posto de trabalho. Adaptar o mobiliário (mesa, cadeiras, estantes, armários etc.) a uma distância de fácil alcance e que permita um fácil manuseamento aos trabalhadores. Os materiais utilizados (objectos e ferramentas) devem ser adequados às características individuais de cada trabalhador (altura, peso, idade, etc.), permitindo assim a realização do trabalho com comodidade e sem necessidade de realizar esforços repetitivos.
  • Possibilitar a realização das tarefas evitando posturas incorrectas (e consequentemente incómodas para o corpo). Em trabalhos de escritório, deve procurar-se manter as mãos alinhadas com o antebraço, assim como, manter coluna numa posição recta e os ombros em posição de repouso.
  • Devem ser evitados os esforços prolongados e a aplicação de “forças” manuais excessivas, sobretudo em movimentos que obriguem à compressão de objectos, extensão e rotação.
  • Nos mais diversos trabalhos, devem ser utilizadas ferramentas manuais com um desenho ergonómico, para que, quando utilizadas permitam que o pulso permaneça em posição recta relativamente ao antebraço.
  • Quando se manuseiam ferramentas que requeiram esforços manuais contínuos, como por exemplo, os alicates ou martelos, é preferível distribuir a força de actuação pelos vários dedos. Adicionalmente, as ferramentas deverão ser concebidas de modo a permitir o uso alternativo das duas mãos.
  • Deve-se tentar reduzir sempre ao mínimo a força aplicada em certas tarefas (ex. carpintarias, restauração, indústria têxtil, etc.). Para o efeito, devem ser mantidas devidamente afiadas e em bom estado de conservação, as ferramentas, facas e outros objectos cortantes.
  • Para cada tarefa em particular, devem ser sempre utilizadas ferramentas adequadas. Estas devem ser conservadas em boas condições (isentas de defeitos) e substituídas sempre que se justifique. Não se deve permitir que haja necessidade de empregar esforços adicionais para compensar eventuais defeitos das ferramentas.
  • Sempre que se justificar, utilizar luvas de protecção adequadas ao tipo de trabalho a que se destinam. As luvas não devem diminuir a sensibilidade táctil do trabalhador pois há o risco de se aplicar força em demasia ou por defeito.
  • Devem evitar-se as tarefas repetitivas. Para o efeito, deve programar-se o trabalho de modo a permitir, por exemplo, pausas para os trabalhadores ou a rotatividade dos mesmos pelos diversos postos de trabalho. Deve evitar-se também a repetição do mesmo movimento durante mais de 50 por cento da duração do ciclo de trabalho.  
Nota: entende-se por ciclo de trabalho “a sucessão de operações necessárias para executar uma determinada tarefa ou obter uma unidade de produção”.
  • Vigiar a saúde dos trabalhadores efectuando exames médicos periódicos que facilitem a detecção de possíveis lesões músculo-esqueléticas e possam adicionalmente controlar factores extra-laborais que possam interferir no trabalho.
  • Estabelecer pausas periódicas que permitam recuperar fisicamente e descansar mentalmente (quando o trabalho é muito monótono e repetitivo). Favorecer a alternância de tarefas para conseguir que se utilizem diferentes grupos musculares e, ao mesmo tempo, se diminua a monotonia no trabalho.
  • Dar formação e informação aos trabalhadores sobre relativamente aos movimentos repetitivos e estabelecer programas de formação periódicos que permitam trabalhar sem perdas de segurança e saúde.
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Última modificação 2006-03-29 15:59

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